MULHERES, EMPREENDEDORISMO FEMININO E TRABALHO: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO MEI

Autores

  • Tatiana de Fatima Santos
  • Nanci Stancki da Luz

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-023

Palavras-chave:

Empreendedorismo Feminino, Mulheres, Trabalho, Microempreendedor Individual (MEI), Informalidade

Resumo

Este artigo analisa o empreendedorismo feminino sob a perspectiva das ciências sociais e econômicas, compreendendo-o como um conjunto de práticas e discursos que associam o trabalho à iniciativa individual, especialmente no contexto da formalização por meio do regime do Microempreendedor Individual (MEI), instituído pela Lei Complementar nº 128/2008. O estudo tem como objetivos: (1) examinar a relação entre formalização e precarização do trabalho feminino no âmbito do MEI; e (2) compreender como mulheres empreendedoras se percebem nesse processo. A pesquisa empírica foi realizada durante a Feira Empodera, no município de Pontal do Paraná, por meio de entrevistas orientadas pela questão: “Por que a senhora decidiu abrir uma empresa?”. A análise de conteúdo seguiu a metodologia proposta por Bardin (2026). Os resultados indicam que, embora o MEI represente um avanço em termos de formalização jurídica, ele não altera estruturalmente as condições de vulnerabilidade e pode, em determinados contextos, reproduzir desigualdades de gênero já existentes no mercado de trabalho.

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Publicado

2026-03-06

Como Citar

Santos, T. de F., & da Luz, N. S. (2026). MULHERES, EMPREENDEDORISMO FEMININO E TRABALHO: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO MEI. Revista De Geopolítica, 17(3), e1747. https://doi.org/10.56238/revgeov17n3-023