MARABAIXO Y PSICOLOGÍA COMUNITARIA: PRÁCTICAS CULTURALES COMO INTERVENCIÓN PARA LA PROMOCIÓN DE LA SALUD MENTAL ANTIRRACISTA EN EL CONTEXTO AMAZÓNICO
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov16n5-294Palabras clave:
Marabaixo, Psicología Comunitaria, Racismo, Salud Mental, Epistemologías Negras, Intervención PsicosocialResumen
Este artículo analiza el Marabaixo, manifestación cultural afro-amapaense, como intervención psicosocial y práctica antirracista en el ámbito de la Psicología Comunitaria. A partir de una revisión narrativa de la literatura, se examinaron estudios nacionales e internacionales sobre racismo, salud mental, cultura y epistemologías negras, articulándolos con investigaciones antropológicas y socioculturales sobre el Marabaixo. Los resultados evidencian que el racismo constituye un determinante central del sufrimiento psíquico de las poblaciones afrodescendientes, afectando especialmente a niños, adolescentes y jóvenes. En contrapartida, las prácticas culturales negras emergen como dispositivos colectivos de cuidado, fortalecimiento identitario y producción de resiliencia. El Marabaixo, al integrar música, movimiento, espiritualidad, ancestralidad y colectividad, opera como una tecnología comunitaria de salud mental, promoviendo pertenencia, dignidad y continuidad histórica. Sus dimensiones estéticas y afectivas favorecen la elaboración simbólica del dolor, la reconstrucción de la autoestima y el enfrentamiento del racismo estructural. Además, el protagonismo femenino de las caixeiras y la centralidad de la memoria colectiva refuerzan su carácter político y terapéutico. Se concluye que comprender el Marabaixo como una intervención psicosocial y antirracista amplía las posibilidades de cuidado en salud mental, ofreciendo subsidios para políticas públicas que valoren las prácticas culturales negras como recursos legítimos de promoción de la vida, la resistencia y la equidad racial.
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