DESTERRITORIALIZANDO A EDUCAÇÃO: A EXTENSÃO COMO METODOLOGIA DECOLONIAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov16n5-307Palavras-chave:
Educação, Extensão Universitária, Decolonialidade, Cartografia, Metodologias Ativas, Potência de AgirResumo
Este artigo propõe uma cartografia das experiências educativas que emergem do encontro entre metodologias ativas, epistemologias decoloniais e práticas extensionistas desenvolvidas em universidade pública brasileira. Partindo da compreensão de que a educação não é neutra, mas atravessada por disputas, afetos e racionalidades hegemônicas, analisam-se processos formativos que deslocam a lógica tradicional do ensino e afirmam a extensão universitária enquanto modos de desterritorialização do conhecimento. Inspirado em autores como Freire, Deleuze e Guattari, Spinoza e Krenak, o estudo compreende a aprendizagem como experiência, criação e expansão da potência de agir. O material empírico é composto por narrativas, diários de campo e vivências extensionistas em projetos desenvolvidos em universidade pública brasileira. A cartografia revela que, ao aproximar universidade e território, a extensão rompe hierarquias, cria espaços horizontais de coautoria e reconhece saberes comunitários e populares como centrais na produção do conhecimento. Os resultados evidenciam que metodologias ativas e práticas decoloniais não apenas ampliam a potência dos sujeitos, mas produzem novos modos de existir na educação, afirmando a alegria, o encontro e a criação como fundamentos de uma formação emancipatória.
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