CANABIDIOL, TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E TERRITÓRIO: DESIGUALDADES SOCIOESPACIAIS NO ACESSO AO CUIDADO EM SAÚDE NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-017Palavras-chave:
Transtorno do Espectro Autista, Canabidiol, Território, Geografia da SaúdeResumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) constitui uma condição do neurodesenvolvimento que, além de desafios clínicos, evidencia desigualdades socioespaciais no acesso ao cuidado em saúde. Nesse contexto, o uso do canabidiol (CBD) tem emergido como alternativa terapêutica complementar no manejo de sintomas comportamentais e comorbidades associadas ao TEA, como ansiedade, distúrbios do sono, irritabilidade e epilepsia. Sob a perspectiva da Geografia da Saúde, o presente artigo tem como objetivo analisar de que maneira o uso do canabidiol pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida de pessoas com TEA, considerando não apenas seus efeitos clínicos, mas também os condicionantes territoriais, sociais e regulatórios que influenciam o acesso ao tratamento. A pesquisa adota como metodologia uma revisão bibliográfica de caráter descritivo e analítico, configurada como revisão narrativa, com base em artigos científicos, dissertações, teses e documentos oficiais publicados entre 2010 e 2023 nas bases SciELO, PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), LILACS e Cochrane Library, além de normativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). A análise considerou evidências clínicas sobre o uso do CBD em crianças com TEA e dialogou com referenciais da Geografia, especialmente no que se refere às desigualdades territoriais no acesso às políticas públicas de saúde. Os resultados indicam que o canabidiol apresenta potencial terapêutico relevante na atenuação de sintomas associados ao TEA, com melhora relatada na qualidade de vida das crianças e de suas famílias. Contudo, a literatura evidencia limitações metodológicas, escassez de ensaios clínicos de longo prazo e barreiras regulatórias e econômicas que restringem o acesso ao tratamento, sobretudo em contextos territoriais mais vulneráveis. Conclui-se que o uso do canabidiol no TEA deve ser compreendido como uma questão que articula saúde, território e políticas públicas, demandando o fortalecimento da produção científica, a ampliação de pesquisas clínicas e a formulação de estratégias que promovam maior equidade no acesso ao cuidado em saúde.
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