PERMANÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: A UNIVERSIDADE COMO CAMPO DE PODER, MOBILIDADE SOCIAL, PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES DE UMA UNIVERSIDADE PRIVADA DO RIO DE JANEIRO

Autores

  • Edilane Paula e Candido
  • José Jairo Vieira
  • Shirleia dos Santos Peixoto
  • Fernando Paulo de Lima

DOI:

https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-035

Palavras-chave:

Ensino Superior, Permanência, Evasão, Assistência Estudantil, Universidade Privada

Resumo

Este artigo objetiva desenvolver um debate teórico sobre alguns aspectos relevantes no debate sobre a permanência no ensino superior e analisar as percepções que um grupo de universitários de uma instituição privada tem sobre permanência e evasão. Para tanto o artigo se debruçou no debate teórico de alguns temas centrais para esse debate como, a) democratização e/ou mercantilização do ensino superior; b) a sociologia da educação de Pierre Bourdieu; c) a universidade como local de poder, status e perspectiva de mobilidade, d) a assistência estudantil e o PNAES; e) a percepção dos universitários de instituição privada sobre permanência e evasão. Para tanto, a metodologia utilizada foi de caráter qualitativo, além da análise bibliográfica foi realizada a aplicação de questionário on line com 22 perguntas em 22 universitários de uma instituição de ensino superior privada do município do Rio de Janeiro. As principais considerações são em primeiro lugar, democratizar o ensino superior implica mais do que abrir vagas; exige garantir condições de permanência, apoiar a construção de um habitus acadêmico por parte de estudantes de origens diversas e questionar formas de organização institucional que perpetuam desigualdades de classe, raça, gênero e território. Em segundo lugar, a Sociologia de Bourdieu oferece uma chave interpretativa potente para analisar a universidade como campo de poder, no qual se negociam e se impõem significados legítimos de mérito, excelência, qualidade e justiça. Em terceiro lugar, a mobilidade promovida pela universidade é real, mas seletiva e condicionada; depende da articulação entre capitais familiares, trajetórias escolares, posição das instituições e políticas públicas de acesso e permanência. Em quarto lugar, reiteramos que na percepção dos universitários da instituição privada. o financiamento estudantil por si só não evita a evasão das instituições privadas, outras ações de assistências são necessárias para a permanência desses estudantes.

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Publicado

2026-01-12

Como Citar

Paula e Candido, E., Vieira, J. J., Peixoto, S. dos S., & de Lima, F. P. (2026). PERMANÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: A UNIVERSIDADE COMO CAMPO DE PODER, MOBILIDADE SOCIAL, PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES DE UMA UNIVERSIDADE PRIVADA DO RIO DE JANEIRO. Revista De Geopolítica, 17(1), e1265. https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-035