VALIDAÇÃO EMPÍRICA DA COMPETÊNCIA TELEOLÓGICA NA GOVERNANÇA PÚBLICA: EVIDÊNCIAS CONVERGENTES PARA O MODELO CHAP
DOI:
https://doi.org/10.56238/revgeov17n1-100Palavras-chave:
Governança Pública, Competência Organizacional, Propósito Institucional, Validade Convergente, Modelo CHAPResumo
O artigo analisa, sob uma perspectiva empírica e teórico-interpretativa, em que medida a escuta institucional fornece evidências convergentes capazes de validar o modelo de competência CHAP (Conhecimento, Habilidade, Atitude e Propósito) no contexto da governança pública. O estudo se insere como desdobramento empírico da agenda de pesquisa inaugurada por Coimbra (2025), que propõe a incorporação do Propósito como dimensão teleológica da competência organizacional no setor público. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativo-quantitativa, de natureza descritiva e analítica, estruturada na triangulação metodológica entre dois instrumentos distintos e complementares de escuta organizacional: o Censo Institucional do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (Gestão 2024-2025), a pesquisa Great Place to Work (GPTW 2025) com a articulação a um referencial teórico e normativo. Os dados quantitativos foram analisados por meio de estatística descritiva, enquanto os dados qualitativos provenientes das respostas abertas foram submetidos à análise de conteúdo, conforme Bardin (2011). A análise priorizou a identificação de convergência empírica entre construtos semelhantes captados por metodologias distintas, à luz do conceito de validade convergente, conforme formulado por Campbell e Fiske (1959). Os resultados evidenciam elevados níveis de convergência nas dimensões de confiança, orgulho institucional, pertencimento, engajamento consciente e sentido do trabalho, indicando a internalização cultural do Propósito como variável organizacional observável. A interpretação dos achados é sustentada por uma leitura hermenêutica inspirada na Fenomenologia do Espírito, de Hegel (1992), compreendida como chave interpretativa do processo de amadurecimento institucional. Conclui-se que o modelo de competência CHAP apresenta validação empírica no contexto analisado, demonstrando que a competência teleológica ou finalística transcende o plano normativo e orienta comportamentos, decisões e práticas institucionais, contribuindo para a produção de valor público e para o fortalecimento da governança orientada por dados, pessoas e sentido.
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